sábado, 15 de novembro de 2008

Artigo de Opinião

UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ-UNIFAP
CURSO DE MÍDIAS NA EDUCAÇÃO-MÓDULO INTERMEDIÁRIO
TUTOR: ANTONIO RANGEL COSTA
CURSISTA: MINELVA MEDEIROS DOS REIS[1]
ATIVIDADE: TEXTO

Nos últimos anos, a expressão “gêneros de texto” tornou-se comum, mas poucas vezes paramos para pensar no que ela significa. Como a palavra gênero significa “família, grupo”, podemos dizer que gêneros textuais são “famílias”, grupos de textos, orais ou escritos, que tem origens próximas e são ligados entre si por pertencerem a uma mesma área de conhecimento e ocorrerem em situações semelhantes. De acordo com Marcuschi (2006, p.5)
O estudo de gêneros textuais vem se tornando um empreendimento cada vez mais multidisciplinar. Assim, a análise de gêneros engloba uma análise do texto e do discurso e uma descrição da língua e visão da sociedade, e ainda tenta responder a questões de natureza sócio-cultural no uso da língua em seu cotidiano nas mais diversas formas.
Um exemplo da posição do autor é o jornal, que é uma área de divulgação de informações. Todos os gêneros que são produzidos neste veículo são chamados de “gêneros jornalísticos” (notícias, editoriais, reportagens, por exemplo) e têm muitos aspectos em comum, determinados pela maneira como o conhecimento jornalístico é produzido e organizado. Outros gêneros que podem ser agrupados numa mesma “família” são os literários, produzidos para o entretenimento e o deleite dos leitores por autores que são verdadeiros artistas. Entre eles estão os romances, os poemas, os contos, as narrativas policiais, as crônicas, etc.
Além desses campos de conhecimentos mais formais, a cultura popular possui gêneros constituídos ao longo de séculos e transmitidos boca a boca entre as gerações familiares, como cantigas de ninar, de roda, contos, fábulas, advinhas e muitos outros. Como todas as formas de linguagem nascidas nas diferentes situações de comunicação são gêneros, podemos dizer que também são gêneros de texto as conversas familiares e as conversas de bar. Estes últimos são marcados pela informalidade das situações de comunicação em que são produzidos.
Pode-se ainda dizer que são gêneros textuais as formas de linguagem produzidas em toda e qualquer situação de comunicação, que podem ser reconhecidas e utilizadas pelas pessoas que estão se comunicando por terem formas conhecidas. Ao contar uma piada, passar uma receita, dar uma instrução qualquer, já sabemos de antemão quais são as formas características do gênero que vamos usar. Quem conversa conosco, do mesmo modo, também reconhece os elementos dos gêneros que está sendo usado e ri da piada, anota a receita ou presta atenção às instruções. Os gêneros, por terem marcas reconhecidas pelas pessoas que se comunicam, são instrumentos que possibilitam o entendimento entre as pessoas. Neste sentido, Fiorin (2005, p.102) afirma que:
Todos os textos que produzimos sejam eles orais ou escritos, sejam eles manifestados por qualquer outra linguagem que não a verbal, são sempre a materialização de um gênero.
Como já foi citado, há inúmeros gêneros de texto na língua. Podemos dizer que seu número é infinito, pois cada uma dessas formas de linguagem decorre das diferentes formas de linguagem e das diversas e diferentes situações de comunicação (situações de produção de linguagem) que vivemos no cotidiano, seja elas formais ou não formais. Uma pessoa, por exemplo, no seu papel de mãe ou pai, pode num dado momento, dar instruções a seus filhos. Logo em seguida, no papel de profissional, escreve um texto técnico para seu chefe. Mais tarde, essa mesma pessoa pode se tornar um leitor de jornal ou um telespectador e se envolver com o noticiário do dia ou com a novela. Como as situações de comunicação muda constantemente, uma mesma pessoa usa vários gêneros por dia, porque muda de lugar social nas diferentes situações de produção de linguagem: ora ocupa o lugar de pai ou mãe, ora de profissional em seu trabalho, ora de pessoa que busca informações sobre o mundo em que vive etc.
Podemos concluir que, como só nos comunicamos por meio de gêneros textuais, quanto mais gêneros dominamos maior será nossa capacidade de comunicação, nosso desenvolvimento pessoal e nossa capacidade de exercer a cidadania. Muitos dos gêneros que utilizamos são aprendidos informalmente nas relações sociais mais próximas. Outros, porém, exigem ensino sistematizado pára serem aprendidos. Nesta época de profundas transformações em que vivemos a escola precisa, mais do que nunca, fornecer ao estudante os instrumentos necessários para que ele consiga buscar, analisar, selecionar, relacionar e organizar as informações complexas do mundo contemporâneo.
Esse papel da escola ganha relevância em um país como o nosso: para muitos, fora da escola, são poucas as oportunidades de contato com a leitura para informação, para exercer minimamente a cidadania e para entretenimento. Por isso, entre outros papéis que deve desempenhar a escola precisa se preocupar cada vez mais com a formação de leitores. Mas, com que espécie de leitores? Que sejam capazes de mobilizar que tipos de procedimentos e habilidades? Que atividades devem ser selecionadas para que os alunos desenvolvam as capacidades envolvidas no ato de ler?
Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que não basta ensinar a ler e a escrever: é necessário desenvolver o grau de letramento dos alunos, dirigindo o trabalho para práticas que visem à capacidade de utilizar a leitura (e a escrita) para enfrentar os desafios da vida em sociedade e de fazer uso do conhecimento adquirido para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Para isso, é fundamental propor trabalhos com os diferentes gêneros que circulam na sociedade, mas sem deixar de criar situações que permitam aos alunos desenvolver as diferentes capacidades envolvidas no ato de ler. Além de ensinar a ler as linhas, é necessário desenvolver a capacidade de ler nas entrelinhas e de ler para além das linhas, isto é, devemos ensinar avaliar e cobrar capacidades leitoras de várias ordens: capacidades de decodificação, de compreensão, apreciação e réplica do leitor em relação ao texto.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais e ensino da língua. Macapá: ILAPEC. 2006
HUGO, Mari, WLATY, Ivete, VERSIANI, Zélia. Ensaios sobre LEITURA. Belo Horizonte - MG, PUCMINAS, 2005.

[1] O autor(a) é aluno(a) do Curso de Formação Continuada em Mídias na Educação – Ciclo Intermediário II – Ministrado pela UNIFAP.

Um comentário:

Minelva disse...

OIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!

HUMMMMMMMMMMMMMM
TO CHICK!!!
NO BLOG DO PROFESSOR!
Abraços

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